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Caro diário,
Pode vim soar estranho eu com essa idade escrevendo em um diário como foi o meu dia... Na verdade vim desabafar, contar como estão meus primeiros meses após o implante de um microchip cutâneo e sinceramente não está nada fácil. Toda aquela empolgação com o fato de que estaria longe de perigos de sequestro, no fim não adiantou nada.
Não há nada mais desagradável que ir a um lugar diferente saindo da rotina e saber que é acionada uma alerta em uma central em Miami. É só o começo, porque como outras redes sociais o microchip também nos coloca a fazer uma espécie de perfil, não só com meus dados, mas com informações de toda minha família.
Como infelizmente ainda sou jovem e não tenho autoridade sobre mim. Eu sou vigiado e rastreado a partir do momento que vou pra escola até quando chego em casa para dormir. Virou rotina já! E está me incomodando muito. Fico sufocado só não demonstro. Não posso se quer sair da rotina: almoçar em algum lugar diferente como fiz uma vez que meus pais já vêm atrás de mim.
Já não bastassem meus outros perfis sociais. Porque não me seguem no twitter ou me adicionam no facebook, vão estar me vigiando da mesma forma, pra que complicações? A tecnologia exige mais e mais. E olha que no Brasil é só o inicio dessa nova era. Agora, imagina na China, onde as pessoas são constantemente vigiadas por câmeras. Deve ser infernal, concorda?
Por de ser de família com alto poder aquisitivo, eu vivia já perturbado, ameaçado na minha vida social e online. Cheguei a ser sequestrado, tempo que prefiro não me recordar. Coisas que segundo meu pai já se resolveu, mas para mim continua um pendente.
Nos dias de hoje já é notório o fato de a privacidade não existir, não acha? Somos superconectados e consentimos dessa conexão. Os perfis, assim que criados, estão nos fazendo assinar um acordo em que é permitida a invasão de privacidade. Já não basta implantar um microchip para me vigiar?
Contudo não dá para ficar sem reação, aguentar e sempre sorrir. É impossível. Sinto-me esgotado a cada dia, e sem saída. E a tentativa de me tirar de um sufoco me tornou mais exposto e mais sufocado, meus relacionamentos familiares estão ficando desgastantes, não sei o que faço. Preciso de ajuda! Só que agora tenho que ir e vou tentar sim ficar tranquilo ao máximo, até mais caro amigo.
perguntado 2 meses atrás em Redação por isabelaabm (105 pontos)

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